domingo, 16 de setembro de 2012

Da Aristocracia Governativa

       «Parece-nos que, de todas as aristocracias que oprimiram, cada uma por si e às vezes todas em conjunto, a sociedade humana, a chamada aristocracia da inteligência é a mais odiosa, a mais desprezadora e a mais opressiva.  
      A aristocracia nobiliária diz-vos: “você é um homem muito galante mas não nasceu nobre!” É uma injúria que ainda podemos suportar.  
      A aristocracia do capital reconhece-vos toda a espécie de méritos mas acrescenta “não tendes vintém!” É igualmente suportável.  
      A aristocracia da inteligência diz-nos: “Não sabem nada, são uns burros e nós, homens inteligentes, temos que vos pôr a albarda e conduzir-vos!” Isto é intolerável.»  
      Mikhail Aleksandrovitch Bakunin ou, o aportuguesado: Miguel Bakunine (1814-1876)  
         Filósofo anarquista, distanciou-se de Karl Marx por defender que as energias revolucionárias deveriam ser concentradas na destruição das “coisas”, no caso, o Estado, e não das “pessoas”.  
         Bakunine criou grupos anarquistas em vários países do mundo e mesmo após a sua morte a sua influência é notada até aos nossos dias, designadamente, nas várias ações de protesto de rua, utilizando a tática da ação direta, tão bem descrita em toda a sua obra; nos movimentos ambientalistas, cooperativistas, de ocupação urbana, grupos locais de trabalho autogestionado, etc., todos carregam o germe da ideologia e pensamento de Bakunine, pois todos são, também, amantes fanáticos da liberdade. 

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